Há um nó invisível que me estrangula. Vivo entre paredes que cantam em sussurros a canção da incerteza. Os dias passam, lentos e rápidos, com a mesma urgência descompassada de um coração que aprendeu a dançar sozinho. No divã da vida, sou paciente e terapeuta, mas as respostas escorrem por entre meus dedos. O que faço aqui? Em lugares que não escolhi, assumindo papéis que não ensaio. As horas de trabalho são uma dança forçada, onde os pés tropeçam em sonhos não realizados. A promessa de algo mais, sempre à frente, sempre inalcançável. Meu desejo é um reflexo distorcido em espelhos quebrados, riscando cicatrizes na superfície da minha pele. Ser adulto parece um jogo de esconde-esconde com a felicidade. Me disseram que a vida começa quando encontramos nosso propósito, mas e se ele está escondido sob camadas de expectativas alheias? Não sou pessoa de desistir, mas o cansaço pesa como âncoras. A solidão aperta sua mão no meu ombro, uma velha conhecida. As memórias de abandono murmuram seu nome, mas meu peito grita por liberdade. Auto-sabotagem é o eco de minha própria voz, uma canção desafinada, embalando meus medos mais secretos. E aqui estou, escrevendo. Palavras são a única verdade que conheço, a única vela acesa nesta noite interminável. Quem sou eu, senão uma sombra em busca de luz?