Passei tanto tempo carregando o mundo nas costas que os pequenos instantes de alívio parecem delírios. O fardo que muitos nem veem — aquele que pesa no peito, invisível aos olhos que só olham, mas não enxergam. Crescer cedo é como ser jogado no mar sem saber nadar, e ainda assim, esperar que você sobreviva e, milagrosamente, aprenda a gostar do sal. O relógio não para, e a lista de responsabilidades parece um novelo interminável. Cada momento é uma escolha entre o que precisa ser feito e o que meu coração ansioso gostaria que fosse diferente. Me pergunto, em silêncio, se algum dia o Pêndulo perceberá. Aquele que comanda do topo da torre, que gira os ponteiros e espera resultados, mas nunca parece notar o esforço constante de remar contra a maré. Às vezes, sinto que sou um reflexo pálido da pessoa que gostaria de ser. A vergonha é uma sombra persistente, uma lembrança dos limites auto-impostos pelo medo e pela expectativa. No entanto, ainda há uma fagulha teimosa, uma esperança em meio à escuridão sufocante. Aprendi, com os tropeços, que a dor ensina o que a escola não alcança. Sonho com o dia em que aqueles que governam com olhos vendados enxergarão, além das cifras e relatórios, as almas que sustentam o mundo. Até lá, sigo remando, na esperança de encontrar terra firme.