Nasci entre livros empilhados e sonhos sufocados, flutuando num oceano de exigências. Cada página virada parece um fardo, enquanto anseio por algo que nunca me ensinaram a buscar. A cada manhã, o espelho reflete alguém que mal reconheço, cujos olhos carregam o peso de expectativas irreconciliáveis, de um futuro que não me pertence. Os corredores que percorro são ecoantes, sufocados pelo murmúrio de promessas que não fiz. Estou sempre correndo, sempre atrasado para uma linha de chegada que não escolhi cruzar. Suspiros são meus companheiros mais fiéis; cada um deles uma tentativa de libertar a pressão invisível que se acumula em meu peito. Nas horas mortas, o silêncio é ensurdecedor. Ele me confronta com perguntas cujas respostas escapam pelos dedos. No papel, tento encontrar sentido; mas as palavras são traiçoeiras, moldam-se em formas que não consigo decifrar. Acordo, estudo, repito. O ciclo continua incessante. Há uma faísca dentro de mim, uma chama que se recusa a ser apagada pelo conformismo. Ela sussurra promessas de liberdade, de um dia abrir minhas asas para além dessas paredes cinzentas. Mas, por ora, sigo em frente, com passos hesitantes, esperando o alívio de um amanhecer que traga coragem. E assim, entre fragmentos de pensamentos e sonhos inacabados, continuo. Esperando. Vivendo. Sobrevivendo.