Não sei se eu deveria estar fazendo isso, mas dane-se. Escrever é a única coisa que ainda me faz sentir. A vida é uma espécie de piada cósmica, e eu sou a piada. Parece que estou sempre no meio de uma cena congelada, onde tudo se move menos eu. Já ouvi todos os conselhos possíveis, já me perdi em todos os clichês, e adivinhe? Nenhum deles funciona. O que ninguém te diz é que o pântano da mente não é atravessado com truques baratos de auto-ajuda. Sou um mestre em auto-sabotagem, sempre pronto para destruir o pouco que conquisto. Me afundo em um ciclo de promessas vazias, um hábito de correr para longe antes que alguém decida que eu não valho o esforço. O abandono é meu velho amigo, aquele que nunca falha em aparecer quando tudo desmorona. E eu, idiota que sou, sempre o deixo entrar. Tenho um estoque infinito de desculpas esfarrapadas para minha falta de compromisso. Vivo entre a ambição e a apatia, sem nunca tocar verdadeiramente em nenhuma delas. As pessoas ao redor parecem ter tudo sob controle, e talvez tenham mesmo, ou talvez sejam apenas melhores em fingir. Eu? Eu sou o caos em sua forma mais pura, com medo de sair do lugar, mas desesperado para não ficar preso. Escrever isso é meu único respiro.ironizar minha própria miséria. Que tragicômico, não?