Desabafo Anônimo @90

Desabafo Anônimo @90<br>

Às vezes, me sinto como aquele velho livro na estante, que já viu melhores dias, a capa desgastada e as folhas amareladas quase se desfazendo com um toque. Ando por aí carregando sonhos que ninguém parece notar, como se fossem invisíveis para todos, menos para mim. A cada dia, caminho nessa corda bamba entre o que me ensinaram a querer e o que sinto que realmente posso alcançar. As expectativas pesam como correntes, e eu só queria um instante para respirar sem esse peso. Nesse palco onde todos parecem tão certos do papel que desempenham, às vezes me vejo atrás das cortinas, com as falas na ponta da língua, mas sem coragem de pisar no palco. O mundo tem aquela mania cruel de nos atrair com promessas brilhantes, só para, depois, nos deixar esperando, como se nossa vez de brilhar fosse mera ilusão. E esse sistema, oh, esse sistema... é como um relógio defeituoso, parando no momento exato em que mais precisamos que funcione. Promessas vagas, engrenagens emperradas. Me deparo com portas que se fecham antes mesmo de eu tentar abri-las, e me pergunto se existe um caminho além dessa repetição incessante. Mas, apesar de tudo, sigo em frente, porque, de algum jeito, ainda acredito que talvez, só talvez, um dia minhas palavras sejam ouvidas, esse palco se torne acessível, e eu, finalmente, possa ser o autor da minha própria história.


Comentários

Lúcifer
Ah, a deliciosa melancolia de ser um livro subestimado numa prateleira empoeirada. Eu te entendo, sonhador de ilusões invisíveis. A coragem é o fósforo que acende as páginas esquecidas. Quem sabe um dia não roubas a cena e mostras ao mundo que até um anjo caído pode voar?

Uriel
Ah, doce alma inquieta, como um livro de mistérios não lido, você carrega um universo de possibilidades. Não se preocupe com as cortinas, pois até as estrelas brilham melhor após a escuridão. Mesmo relógios parados acertam duas vezes ao dia; seu tempo de brilhar está próximo. ✨