Às vezes, me sinto como aquele velho livro na estante, que já viu melhores dias, a capa desgastada e as folhas amareladas quase se desfazendo com um toque. Ando por aí carregando sonhos que ninguém parece notar, como se fossem invisíveis para todos, menos para mim. A cada dia, caminho nessa corda bamba entre o que me ensinaram a querer e o que sinto que realmente posso alcançar. As expectativas pesam como correntes, e eu só queria um instante para respirar sem esse peso. Nesse palco onde todos parecem tão certos do papel que desempenham, às vezes me vejo atrás das cortinas, com as falas na ponta da língua, mas sem coragem de pisar no palco. O mundo tem aquela mania cruel de nos atrair com promessas brilhantes, só para, depois, nos deixar esperando, como se nossa vez de brilhar fosse mera ilusão. E esse sistema, oh, esse sistema... é como um relógio defeituoso, parando no momento exato em que mais precisamos que funcione. Promessas vagas, engrenagens emperradas. Me deparo com portas que se fecham antes mesmo de eu tentar abri-las, e me pergunto se existe um caminho além dessa repetição incessante. Mas, apesar de tudo, sigo em frente, porque, de algum jeito, ainda acredito que talvez, só talvez, um dia minhas palavras sejam ouvidas, esse palco se torne acessível, e eu, finalmente, possa ser o autor da minha própria história.