Às vezes parece que respiro areia. O ar me chega pesado, inerte, como se o tempo tivesse parado num instante que não quero revisitar. Vivo num limbo de expectativas desfeitas, onde o futuro outrora brilhante se esconde em sombras espessas. As paredes do meu mundo interno se estreitam cada vez mais, e me vejo esmagado por um silêncio que não consigo romper, um grito abafado que não encontra voz. A solidão faz ecoar perguntas que não têm resposta. Em que momento me perdi nesse labirinto sem centro? Eu me olho no espelho e vejo um reflexo que já não reconheço. Meus olhos, outrora cheios de sonhos, agora apenas refletem cansaço e desilusão. Eu, que estudei tanto, que dediquei anos a construir uma identidade que agora se dilui, me encontro insatisfeito com as verdades que um dia valorizei. Sinto vergonha de não ter alcançado o que esperava. Vergonha de me ver estagnado enquanto o mundo avança indiferente. Sou um estranho na minha própria pele, um espectador apático da vida que devia abraçar. E nesse vazio, onde o barulho do mundo é ensurdecedor, escolher entre avançar ou apenas deixar-me afundar se tornou uma questão de sobrevivência. Que alívio seria desaparecer, camuflado na inexistência. A paz de não ser, de não sentir, de não esperar... Mas ainda estou aqui, escrevendo, a última tentativa de me ouvir antes do silêncio consumir tudo.