Há momentos em que tudo ao meu redor parece uma dança sincronizada que eu nunca aprendi. As pessoas passam por mim, seguindo uma melodia que eu não consigo ouvir, enquanto eu tropeço nos meus próprios passos. Aprender a caminhar sozinho é um fardo disfarçado de liberdade. Cresci rápido demais, como se a vida tivesse me entregado uma lista de responsabilidades sem a cortesia do manual de instruções. Cada dia é uma tentativa de não afundar na areia movediça da incerteza. Ser um artista da instabilidade em um mundo que idolatra a estabilidade é um paradoxo cruel. As marés do trabalho vêm e vão, deixando-me à deriva, lutando para manter a cabeça acima da água. E, no entanto, é nessa luta que encontro uma estranha forma de paz. É um jogo de esconde-esconde com meus próprios sentimentos, onde o prêmio é não ser encontrado. O vazio existencial não é um abismo, mas um eco constante de perguntas sem respostas. Por que o sistema que deveria me sustentar se transforma em um quebra-cabeça desmontado quando mais preciso dele? Essas são as engrenagens enferrujadas de um mecanismo que falha justamente na hora em que o solo se desmancha sob meus pés. Talvez o verdadeiro aprendizado não esteja na fuga da dor, mas em aceitá-la como velha conhecida. No fim, apenas o silêncio da noite me escuta — um espaço onde posso respirar sem máscaras, sem expectativas, apenas existindo.