O caos mora na minha cabeça, como um inquilino que nunca paga aluguel - uma bagunça incessante de expectativas e responsabilidades que não pedi. Parece que tudo é um fardo, cada página de um livro que não escolhi ler, cada aula que rouba meu tempo como um ladrão silencioso na noite. Eu deveria saber o que quero ou, pelo menos, fingir algum tipo de certeza, mas a verdade nua e crua é: estou perdido. E estou cansado disso. Os rostos ao meu redor, eles falam de um futuro brilhante, um que brilha tanto que cega. Mas e se eu não conseguir ver onde estão as pegadas para seguir? Cada esquina parece um beco sem saída, cada decisão um caminho para lugar nenhum. Escuto vozes que dizem “isso é só uma fase”, mas, se for, é uma que se arrasta como um inverno interminável. A vergonha me veste como uma segunda pele, porque, honestamente, quem sou eu para reclamar quando ao meu redor tudo parece preto e branco enquanto sou um borrão cinza? O mundo, imenso e intimidante, me faz sentir pequeno, irrelevante, um grão de poeira tentando encontrar seu lugar numa tempestade. A solidão se tornou meu único companheiro fiel, e talvez tudo o que eu realmente quero é gritar no vazio, só para ouvir algum eco, alguma prova de que ainda existo.