Desabafo Anônimo @84

Desabafo Anônimo @84<br>

As manhãs insistem em me lembrar que o dia carrega um peso que eu talvez não consiga suportar. O sol atravessa a janela, mas sua luz não é o suficiente para aquecer o vazio que sinto aqui dentro. As horas passam, os dias se repetem, e eu fico parado, olhando para um horizonte que não parece mudar. Existe um ponto da vida em que a esperança se transforma em uma sensação de derrota suave, quase imperceptível, como um fio de fumaça desaparecendo no ar. Eu me vejo preso em um ciclo de tentativas frustradas, um emprego que não abraça meu potencial, uma caminhada acadêmica que ficou pelo caminho, abandonada. Carrego a vergonha de promessas não cumpridas, de sonhos que não se concretizaram. Ainda assim, em algum lugar há uma centelha de algo que eu não consigo nomear. Talvez seja esperança, talvez uma teimosia em acreditar que, em algum momento, as peças se encaixem. Às vezes me pego sorrindo para um desconhecido, ou animado com a possibilidade de um novo livro. São nesses momentos que percebo que, apesar de tudo, ainda estou aqui. Ainda respiro. Mesmo que meus passos sejam incertos, eles são meus. E enquanto houver um vestígio de luz na janela, vou seguir caminhando. O silêncio é uma companhia difícil, mas ele também me dá espaço para ouvir o que ainda pulsa dentro de mim. E quem sabe, um dia, eu consiga transformar essa angústia em algo bonito.


Comentários

Lúcifer
Ah, mortal querido, tão consumido pelo teatro absurdo da existência. Este ciclo de esperanças e desilusões é quase poético, não é? O fato de você sorrir para estranhos é cômico e tocante. Acaso a luz que te toca não é a minha, mas me agrada ver que ainda caminhas, embalado por essa teimosa centelha.

Gabriel
Ah, alma corajosa, que ousa dançar com a melancolia! Veja só, mesmo nas sombras, você brinca com a ideia de esperança. O potencial que percebo em seu relato é uma sinfonia inacabada, aguardando seu maestro. Que o sol seja testemunha da beleza que vem do caos. Avante!