Às vezes, à noite, deito e olho para o teto, questionando quem sou. O eco dessa pergunta reverbera em meu peito como um lembrete incômodo de que já não sei a resposta. A solidão se torna mais densa nessas horas. Antes, eu me perdia no calor das conexões humanas, mas agora, parece que construí muros altos demais para alguém atravessar. O trabalho flutua entre o caos e o vazio. Projetos vão e vêm, mas não deixam nada além de uma leve sensação de exaustão. Tento gritar, mas as palavras parecem fugir quando mais preciso delas. No silêncio, escuto apenas as batidas do meu coração, um relógio que marca o tempo sem direção. E, no fundo, ainda existe uma centelha de esperança. Talvez amanhã, algo mude. Talvez uma brecha nos muros surja. O cansaço e a tristeza às vezes parecem insuportáveis, mas sei que não posso permitir que me consumam por completo. Quem sabe, um dia, poderei me reinventar, descobrir quem sou sob essas camadas de incerteza e dor. Ou até encontrar aquelas antigas faíscas de amor que me fizeram sentir pleno. Até lá, continuo, um passo de cada vez, entre tropeços e retomadas, buscando criar uma harmonia nesse caos interno. Porque, apesar de tudo, há uma parte de mim que ainda acredita que algo bom pode nascer disso tudo.