No silêncio das minhas noites mal dormidas, me pego refletindo sobre o que poderia ter sido. Ontem mesmo, parado na fila interminável de promessas vazias, percebi o quanto esse tempo não volta mais. Ali, entre rostos que já não reconheço e vozes que ecoam como murmúrios distantes, a sensação é de ser apenas mais um número no meio de um sistema que não se importa com histórias, mas sim com estatísticas. Trabalhei duro, suando diariamente por um futuro que não chegou da forma que imaginei. O brilho que um dia esteve nos meus olhos foi lentamente apagado, substituído por um desejo contido de algo mais. Meu conhecimento, que sempre acreditara ser meu porto seguro, agora parece uma âncora que me impede de mudar de rumo. Sinto uma desconexão crescente, como se as emoções tivessem decidido tirar férias, deixando apenas um eco do que já fui. A revolta dentro de mim é como um vulcão adormecido, acumulando pressão a cada dia, sem nunca encontrar uma saída. E, ainda assim, no meio desse mar de incertezas, há um leve lampejo de esperança. Talvez, um dia, a fila ande, e a espera se transforme em chegada. Até lá, me agarro a essa pequena fagulha, esperando que ela seja suficiente para reacender a chama que tanto me faz falta.