Acordo todos os dias para enfrentar o grandioso e emocionante desafio de... existir. Ah, a rotina mágica de acordar, trabalhar para pagar boletos e, quem sabe, comprar aquela cafeteira nova para tornar as manhãs menos insípidas. É uma aventura eletrizante, quase comparável a assistir tinta secar. No emprego, a novidade do dia é ouvir que "estão todos no mesmo barco", o que certamente é consolador quando o barco parece estar furado. As oportunidades de carreira gritam meu nome, mas elas falam um idioma que ainda estou tentando decifrar. Talvez seja a linguagem dos sonhos adiados, uma língua que, ao que parece, domino com maestria. Ah, e a vida social! Navegar entre ser alguém que não quer estar sozinho, mas também morre de pavor de criar raízes, é uma obra-prima digna de um drama shakespeariano. Cada interação traz consigo o questionamento existencial: "será que finjo ser autossuficiente ou apenas aceito o fato de que a solidão é minha leal companheira?" A cereja no bolo é o repertório espetacular de autossabotagem. Não há nada como destruir potencialmente boas oportunidades antes mesmo de dar uma chance. Afinal, por que lidar com o sucesso quando podemos manter o status quo da dúvida e do inconformismo? Mas tudo bem, amanhã é um novo dia. Talvez ele traga o alívio das respostas. Ou, mais provavelmente, mais perguntas.