Tudo parece uma sequência interminável de dias iguais. Acordo, levanto, caminho meio zonzo, como se estivesse preso em um transe que se repete sem cessar. A velha rotina de estudar, cumprir horários, tentar, tentar, tentar. No fundo, uma pergunta que não cala: "Pra quê?". Há uma linha tênue entre o esforço e o esgotamento, e sinto que a atravessei há muito tempo. As paredes da sala de aula são como um cárcere; ecos de vozes que falam palavras que já não consigo ouvir. Era para ser o caminho para alguma coisa maior, mas a visão se perdeu na neblina da indiferença. Estou ali, mas já não sou parte daquilo. Os sonhos que antes pulsavam, agora murmuram fracamente, quase inaudíveis, sufocados pela pressão do que esperam que eu seja. As vontades se embaraçam, os desejos lutam sem rumo. Existe uma expectativa constante, mas ninguém realmente pergunta o que eu quero. Acho que nem eu sei mais. No espelho, apenas um reflexo de cansaço, olhos que já não brilham. Talvez a desistência não seja falta de coragem, mas sim um ato de sobrevivência, um último respiro antes de afundar. Espero. Espero que em algum momento, tudo isso faça sentido. Que o peso diminua, que a névoa se dissipe. Até lá, eu sigo. Não porque quero, mas porque simplesmente... ainda não parei.