Acordo todo dia com a sensação de que a vida escorrega por entre meus dedos, como areia levada pelo vento. Na rotina monótona, me pego questionando escolhas do passado, imaginando o que poderia ter sido. O peso da incerteza sobre o meu lugar no mundo é, por vezes, sufocante. Passo horas perdido em pensamentos, me perguntando se a estrada que escolhi é a correta ou se, em algum ponto, simplesmente desviei do caminho. Vejo pessoas que, de alguma forma, parecem ter decifrado o enigma da realização pessoal e profissional. E isso me assombra. Olho para o reflexo no espelho, tentando entender se a vergonha que sinto é apenas fruto das expectativas que projetei em mim mesmo ou se é um chamado para reconstruir, redefinir o que significa ser eu. A quase-formação que abandonei pesa no peito. É um lembrete constante das promessas não cumpridas, dos sonhos que se tornaram fantasmas. Eu me pergunto se algum dia vou sentir a tranquilidade de estar onde deveria estar. Ainda assim, há uma faísca dentro de mim, um eco de esperança que sussurra baixinho. Quem sabe amanhã, ou talvez em alguma manhã distante, eu desperte e veja que tudo isso não foi em vão. Talvez exista beleza na incerteza, e se souber escutá-la, ela me guiará para o lugar onde pertenço. Até lá, sigo caminhando, um passo de cada vez.