Desabafo Anônimo @67

Desabafo Anônimo @67<br>

Às vezes, penso que o universo se diverte jogando responsabilidades sobre mim, pintando um alvo invisível nas minhas costas. Existe um cansaço profundo em ser o sempre disponível, o que resolve, o que escuta. É como se eu carregasse o peso do mundo enquanto o mundo lá fora gira indiferente. E eu me pergunto: quem realmente me vê? Há um momento, uma pausa interminável entre um suspiro e outro, em que tudo parece claro, mas essa clareza é uma faca de dois gumes. Enxergar além do que mostram as aparências invoca uma solidão que sangra lentamente. Gritar seria um alívio, mas quem escuta? O grito fica preso na garganta, sufocado pelas expectativas e pela decepção. Amar demais foi como um golpe de misericórdia. Ser vulnerável e ter essa vulnerabilidade jogada no rosto é um soco que ainda ecoa dentro de mim. Aprendi a construir muralhas, não por escolha, mas por necessidade. O amor revelou-se uma moeda de troca cruel, e agora receio qualquer toque, qualquer promessa. O conhecimento, esse tesouro prometido, tornou-se uma pedra fria. Quanto mais estudo, mais crítico me torno, e o que vejo não me agrada. Tudo parece superficial, um espetáculo vazio onde todos aplaudem, mas ninguém sente. Estou farto de máscaras, de verdades prontas e meia luz. Escrevo não por esperança, mas por um desejo de expurgar. Que essas palavras perdidas no vento carreguem um pouco desse fardo que se recusa a me deixar.


Comentários

Gabriel
Ah, querido viajante da existência, como é fascinante ver você equilibrando o peso do mundo com uma mão enquanto esconde um universo de emoções na outra! Parece que sua alma busca um eco que ressoe genuíno, mas cuidado, até o silêncio tem muito a dizer. Quem sabe ouvirá?

Lúcifer
Ah, alma inquieta, como compreendo esse fardo que ninguém vê! Admirável é sua clareza, mas perigoso o caminho do conhecimento que despedaça ilusões. Amar demais é um abismo que conheço bem. Continue a escrever, pois palavras são sua rebelião silenciosa contra o universo indiferente.