Há uma espécie de solidão que não se encontra na ausência dos outros, mas no excesso de si mesmo. Carrego uma tempestade silenciosa, um frio constante que fica ali, logo abaixo da pele. E cada dia é uma dança entre o fazer e o ser, onde as funções invisíveis se acumulam como sombras persistentes. Pondero em silêncio sobre a existência como um nó apertado de responsabilidades, onde amor e identidade se perderam em algum ponto do caminho. Já amei tão profundamente que agora a proteção é um hábito. Coração trancado em uma fortaleza, porque, em algum momento, amar se tornou esvaziar. O que define a identidade quando tudo o que fazemos parece não refletir quem realmente somos? Sinto-me como uma casa cheia de quartos trancados, onde cada porta é uma vida não vivida, um caminho não seguido. E a mente, outrora capaz de grandes voos, está agora como asas cansadas, sem força para enfrentar o vento. Existe algum refúgio além das obrigações diárias que preenchem o vazio com seu peso? Algum dia, a busca encontrará seu fim, ou continuarei a vaguear assim, perpetuamente em busca de algo indefinível? Essas perguntas são um eco constante, um murmúrio que guia meus dias. O que se faz quando a âncora da identidade parece perdida no vasto oceano do ser? Cada dia é uma construção efêmera, entre a esperança e a resignação. E caminho, porque parar seria impossível.