Navego por dias que parecem um eterno déjà vu, a mesma rotina que corroí a alma, cortesia de um adulto infeliz com suas próprias escolhas. Acordo com aquela sensação de carregar o mundo nos ombros, uma mochila pesada que ninguém vê, e que chamam de vida. Eles, sempre eles, os inquilinos de sorrisos plásticos, vivendo para agradar, para se pendurar nos elogios fáceis, enquanto eu me afundo tentando encontrar algum sentido. "Ah, o desbocado", é assim que me chamam pelas costas, mas não dou a mínima. Prefiro a minha amargura honesta às suas mentiras douradas. Antes, eu amava. O tipo de amor que cega, que faz acreditar em promessas e sonhos compartilhados. Hoje, é só uma trincheira. Aquele amor que tinha foi engolido pelo cansaço e pela decepção, por um mundo que nunca pára de cobrar. Larguei os livros, as teorias, um passo antes do fim, porque já não havia faísca. Era só mais uma linha numa lista que não me pertencia. A culpa é o fantasma que me acompanha, sussurrando o que poderia ter sido. É um sentimento surdo, impossível de acolher. Sigo tentando ignorar a voz, mas ela persiste, rindo quando o silêncio toma conta. Quem ainda se importa? Talvez eu, mas não digo em voz alta. Prefiro mastigar minhas frustrações, enquanto a vida segue, sem pausa para respirar.