O relógio insiste em avançar. Tempo como maré. Leva consigo fragmentos de mim que nunca voltam. Sinto-me suspenso, flutuando entre o que era e o que deveria ser, mas o que realmente sou? Todos os dias me troco entre papéis, desbotados e amarrotados. Um sorriso que esconde a dúvida persistente, um olhar que disfarça a busca incessante. O labirinto dentro de mim não tem saída, mas talvez a saída seja o próprio caminhar, ainda que em círculos. Os ecos de sonhos antigos ressoam, sussurrando nas paredes da mente. Como rastros de uma estrela que se apagou. Existe ainda um brilho? Um fio de esperança que se enrola nas voltas de cada dia? Tento agarrá-lo, mas tudo parece escapar por entre os dedos. Silêncio é a única resposta que recebo. Um canto vazio que ecoa a verdade. E na solidão desse silêncio, a mente se desgasta, corroída pelas dúvidas, pelos "e se?", pelas promessas não cumpridas. Mas escrever... ah, escrever é o único alívio. A caneta dança sobre o papel, desenhando o que a voz não diz. Palavras que, embora fragmentadas, são meu santuário. Um espaço onde posso existir em minha plenitude, sem julgamento, sem expectativas. Talvez aqui, entre as palavras, eu encontre um pedaço de mim que me faça sentido. Talvez.