CARTA PARA O MEU FALECIDO PAI!
Hoje, essas palavras não fazem mais sentido. Hoje, essas palavras não têm valor, sentimento ou amor. Hoje, nada parece real, mas um dia talvez tenha sido, não é? Talvez tenha sido, porque eu não lembro de quase nada. As únicas lembranças são aquelas que deveríamos guardar em uma caixa com o rótulo `Não abrir nunca mais`. É triste, mas, sinceramente, não sinto mais nada por você. O amor e a admiração que criei na minha cabeça não existem, nunca existiram, porque faltou amor, faltou respeito, muito respeito, compreensão e, acima de tudo, ser aquela pessoa que deveria me apoiar, cuidar e não me maltratar como se eu não fosse nada, jogando as suas próprias frustrações em cima de quem apenas queria te dar amor e orgulho.
Nunca fui igual às outras. Sempre quis seguir um caminho diferente e, olha só, estou completamente no oposto de tudo que elas fazem, acreditam e falam. Eu me orgulho disso. Mas, sinceramente, ficaria muito mais orgulhosa se você tivesse notado o meu esforço para te agradar, para mostrar o meu amor e, principalmente, para mostrar quem eu era e quem me tornei sozinha, sem a tua ajuda, cheia de traumas, dores e um sentimento de que não mereço nada de bom, apesar de sempre espalhar o meu melhor por aí.
Hoje, tudo o que um dia escrevi sobre você, senti ou imaginei que senti, para suprir essa necessidade de amor e afeto que até hoje carrego em mim, não faz mais sentido. Minhas palavras, minha escrita, foram um mero devaneio, um curativo que tapou uma ferida jamais curada. Mas é isso, a vida segue. Não te desejo o bem, mas também não te desejo o mal. A única coisa que desejo é que você veja tudo o que estava acontecendo e, em uma nova oportunidade, corrija seus erros. Onze anos se passaram, e não existe mais sentimento por você.
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