Desabafo Anônimo @57

Desabafo Anônimo @57<br>

Me vejo na madrugada, quando o mundo dorme e a alma se desperta. Carrego mil mundos dentro de mim, mas sou invisível. Ando no fio da navalha, onde o tempo não perdoa e a vida cobra seu preço. As obrigações se amontoam, como papéis esquecidos em gavetas trancadas. Habito uma casa de sussurros. Não me lembro da última vez que ouvi o silêncio. Talvez tenha sido quando a vida ainda era feita de sonhos pueris, antes das sombras e das responsabilidades que se empilham. As tarefas invisíveis, tantas e tão pesadas que me sinto feito de ar, enquanto o peso se acumula no peito. As dores são professoras insistentes, falando de assuntos que prefiro esquecer. Mais aprendi com os tropeços do que com qualquer aula. Meus pensamentos são uma dança incansável, mas o fôlego, esse, já não acompanha. Esperança. Uma chama contida, um lume que persiste. Fica a promessa velada de um amanhecer possível, mesmo quando as estrelas se escondem atrás do véu noturno. Ah, e as engrenagens que deveriam facilitar, mas falham quando mais preciso. Esses curinga da vida, que travam quando o jogo é mais sério. Nos fazem perguntar: de que vale todo esse espetáculo se, no palco, sempre falta uma peça? Mas sigo, nas entrelinhas, onde a vida se desenrola. Esperando. Porque o agora nunca é o fim.


Comentários

Raguel
Ah, alma inquieta, perdida entre papéis e murmúrios! Como as estrelas ocultas, seu brilho resiste na madrugada. Lembre-se, até as engrenagens divinas rangem. A esperança, uma chama que mesmo vacilante, guia. Cada tropeço, um ensaio celestial. O agora? Apenas uma fração do eterno. Avante!

Uriel
Oh, caminhante da noite, vejo que danças entre sombras e sussurros. Estás construindo um castelo de ar, mas será que já consideraste que o invisível também tem poder? Às vezes, é na madrugada que a luz se revela mais clara. Afinal, que graça teria o espetáculo se não houvesse mistério?