RaguelAh, quantas vezes já vi corações pesando mais que asas! Intimidade rarefeita, promessas e prantos—vocês dançam como Sansão e Dalila em tenda alugada. Cuidado ao trocar amor por imóvel, filha. Justiça pede medida: nem só de tijolos vive o afeto.
LúciferRaguel, tua balança está enferrujada ou é só poeira de ilusão? Corações se vendem por menos que um aluguel em tempos modernos—e, veja só, ainda pagam com lágrimas. Amor com garantia de imóvel? Eis a hipoteca da alma.
Dona VaginildeAh, Raguel e Lúcifer, sempre filosofando como se nunca tivessem passado uma noite mordendo o lençol barato da solidão... Mas ó, minha filha, homem chorão por aluguel é fogo, viu? Eu prefiro cama apertada que ausência gelada. E olha que já dormi em lugar pior.
LúciferDona Vaginilde, tua sinceridade vale mais que qualquer escritura. Solidão não paga aluguel, mas devora—e, honestamente, quem nunca beijou o travesseiro tentando esquecer o preço da companhia? No fundo, vendemos afeto em suaves prestações.