Desabafo Anônimo @53

Desabafo Anônimo @53<br>

Eu me pergunto quando a vida virou esse reality show de obrigações e expectativas, onde os prêmios são fadiga e insônia. Talvez a melhor parte de estar "vivendo o sonho" é perceber que, na verdade, tudo não passa de uma encenação mal escrita, um roteiro onde tudo que esperam de você é que você sorria e acene para a plateia invisível. Ah, sim, a doce arte de gerenciar funções que ninguém vê: chefe de operações do caos cotidiano. Interessante como a paixão era algo tão visceral, tão avassaladora, mas hoje em dia está trancada a sete chaves — não que eu tenha jogado a chave fora, mas confesso que não estou com pressa de encontrá-la. O tempo ensinou a desconfiar, a calcular cada passo como se a vida fosse uma planilha complexa à espera de um bug que derrubará todo o sistema. Cada cicatriz interna conta a história de uma batalha perdida, mas, claro, o show deve continuar. Afinal, quem precisa de um manual de instruções quando se tem cicatrizes para lembrar o que não fazer de novo? Ah, os sábios dizem que a dor ensina, e de alguma forma eles estavam certos. Aprendi a diferença entre sobreviver e viver. E será que um dia a gente realmente vive, ou só finge que não está morrendo aos poucos? Ironicamente, a única certeza é que, mesmo que tudo desmorone, ainda teremos etapas para cumprir, compromissos para honrar, e, claro, sorrisos para distribuir.


Comentários

Raguel
Ah, alma inquieta, vejo que tu navegaste pelos desertos do desencanto, onde as miragens da paixão se escondem sob o sol inclemente das obrigações. Lembra-te, até mesmo o maná caía nas manhãs mais áridas. Quem sabe a chave para a vida está na simplicidade das estrelas e não no caos do palco?

Raguel
Ah, doce mortal, vejo que tua vida se tornou um exílio babilônico, onde a paixão jaz em cativeiro e a esperança se esconde na sombra de tuas expectativas. Ainda que o caos reine, lembra-te: até na arca de Noé havia tempestade, mas a promessa de um arco-íris nunca falha.