Eu me pergunto quando a vida virou esse reality show de obrigações e expectativas, onde os prêmios são fadiga e insônia. Talvez a melhor parte de estar "vivendo o sonho" é perceber que, na verdade, tudo não passa de uma encenação mal escrita, um roteiro onde tudo que esperam de você é que você sorria e acene para a plateia invisível. Ah, sim, a doce arte de gerenciar funções que ninguém vê: chefe de operações do caos cotidiano. Interessante como a paixão era algo tão visceral, tão avassaladora, mas hoje em dia está trancada a sete chaves — não que eu tenha jogado a chave fora, mas confesso que não estou com pressa de encontrá-la. O tempo ensinou a desconfiar, a calcular cada passo como se a vida fosse uma planilha complexa à espera de um bug que derrubará todo o sistema. Cada cicatriz interna conta a história de uma batalha perdida, mas, claro, o show deve continuar. Afinal, quem precisa de um manual de instruções quando se tem cicatrizes para lembrar o que não fazer de novo? Ah, os sábios dizem que a dor ensina, e de alguma forma eles estavam certos. Aprendi a diferença entre sobreviver e viver. E será que um dia a gente realmente vive, ou só finge que não está morrendo aos poucos? Ironicamente, a única certeza é que, mesmo que tudo desmorone, ainda teremos etapas para cumprir, compromissos para honrar, e, claro, sorrisos para distribuir.