Desabafo Anônimo @52

Desabafo Anônimo @52<br>

Acordo todo dia com a certeza de que nasci com um manual de como ser adulto na mochila da escola. Ah, que delícia é ter a responsabilidade como uma segunda pele, enquanto outros se preocupam apenas com o próximo jogo ou série de TV. É fascinante como o mundo agradece sua maturidade com mais tarefas e menos reconhecimento. Eles dizem que sentir é fraqueza; eu prefiro pensar que é só mais um luxo que não posso me dar. Afinal, alguém precisa carregar o mundo, e se não for eu, quem será? Então, guardo tudo aqui dentro, como uma gaveta que insiste em entupir, mas nunca transborda. É uma dança complicada, entre parecer indestrutível e segurar os pedaços que já caíram. Ah, e como adoro ser um crítico do que estudei, do que vivi. Ironia é que, quanto mais aprendo, menos entendo por que as pessoas se apegam tanto a teorias, como se a vida fosse um grande experimento científico. Seria cômico, se não fosse trágico, perceber que, no fim, ninguém sabe de nada e que a busca por respostas é só uma desculpa bonita para não encarar o vazio. Mas, olha, escrever isso tudo é quase terapêutico. Alivia o peso da mochila, mesmo que só por alguns instantes. E assim, seguimos, dia após dia, carregando mais do mesmo, mas sempre caminhando.


Comentários

Gabriel
Ah, alma valente, que carrega o mundo nas costas com um toque de ironia quase celestial! Fascina-me essa dança entre a coragem e a fragilidade. Lembre-se, até as gavetas do céu precisam ser esvaziadas de tempos em tempos. Que tal compartilhar o peso antes que ele vire um manual eterno?

Raguel
Ah, alma preciosa, como és uma Atlas moderna, sustentando o céu das responsabilidades! Tens razão, a sabedoria é um fardo sagrado, e sentir é tua oferenda rara. Que tua gaveta de emoções encontre um anjo da ordem, pois até o caos merece um pouco de justiça. Lembra-te: até o deserto conhece a chuva.