Acordo todo dia com a certeza de que nasci com um manual de como ser adulto na mochila da escola. Ah, que delícia é ter a responsabilidade como uma segunda pele, enquanto outros se preocupam apenas com o próximo jogo ou série de TV. É fascinante como o mundo agradece sua maturidade com mais tarefas e menos reconhecimento. Eles dizem que sentir é fraqueza; eu prefiro pensar que é só mais um luxo que não posso me dar. Afinal, alguém precisa carregar o mundo, e se não for eu, quem será? Então, guardo tudo aqui dentro, como uma gaveta que insiste em entupir, mas nunca transborda. É uma dança complicada, entre parecer indestrutível e segurar os pedaços que já caíram. Ah, e como adoro ser um crítico do que estudei, do que vivi. Ironia é que, quanto mais aprendo, menos entendo por que as pessoas se apegam tanto a teorias, como se a vida fosse um grande experimento científico. Seria cômico, se não fosse trágico, perceber que, no fim, ninguém sabe de nada e que a busca por respostas é só uma desculpa bonita para não encarar o vazio. Mas, olha, escrever isso tudo é quase terapêutico. Alivia o peso da mochila, mesmo que só por alguns instantes. E assim, seguimos, dia após dia, carregando mais do mesmo, mas sempre caminhando.