Eu me perdi no meio de escolhas que não fiz. Navego num mar de expectativas que nunca foram minhas, mas que me prenderam aqui, nesse lugar entre o ontem e o nunca. Me deixei engolir pela rotina, um cotidiano mecânico em que a vida real parece acontecer aos outros. Me disseram que eu deveria querer mais, que o mundo sempre tem algo a oferecer, mas quanto mais eu procuro, mais percebo que estou preso a uma esteira que só me leva ao cansaço. O amor já foi um abrigo, mas agora é como uma memória de um verão que nunca vivi plenamente. Já me doei demais, talvez ao ponto de não sobrar nada além de uma sombra de quem eu era. A saudade de algo que não sei nomear me pesa, me esmaga devagar. Eu segui por um caminho traçado por mãos alheias, engolindo constrangimento atrás de constrangimento, sem coragem para gritar o que realmente sinto. A vontade de ser mais do que um rosto na multidão se esgotou, como se toda a energia tivesse sido sugada pela pressão de ser algo que nunca quis. E aqui estou, à beira de um abismo existencial, vendo o horizonte se desenhar com as cores do mesmo dia cinza. Onde está o meu lugar? Talvez esteja tempo demais ansiando por respostas e esquecendo de sentir. Talvez eu deva apenas deixar que o vazio se preencha no seu próprio tempo. Ou talvez, apenas parar de tentar.