Estou aqui outra vez, encarando a página como se ela fosse o único amigo disponível. Tenho tentado desvendar esse eco incessante na minha cabeça, um sussurro que me diz que eu não fiz o suficiente, que a vida está aqui sendo gasta como água que escorre pelos dedos. Sinto que passo os dias assistindo do lado de fora, vendo o mundo se mover enquanto permaneço estático, em um limbo que nunca muda. A batalha interna é uma guerra que não cessa. Desejo tanto, mas ao mesmo tempo esses desejos me esgotam. A busca por algo mais, por um sentido, é como uma maratona sem linha de chegada. Estou sempre correndo, mas cada passo pesa mais que o anterior. A inteligência, que deveria ser minha aliada, transformou-se em uma fonte de frustração, atormentando-me com o potencial não realizado, as oportunidades perdidas. Desemprego é uma palavra que ecoa alto demais. Não é apenas a falta de trabalho, mas a sensação sufocante de não pertencer, de não contribuir, de ser invisível. Tento me agarrar à sanidade, como se fosse uma corda fina que se estica a cada pensamento negativo. Escrever é o respiro que me mantém, um alívio silencioso em meio à tempestade interna. Talvez amanhã melhore. Ou talvez não. Mas, por ora, existe essa página, esse momento, esse desabafo que é, ao menos, um grito para a vastidão silenciosa.