Todo dia, uma batalha interna entre a necessidade de ser educado e a vontade de gritar. Me ensinaram que paciência é virtude, mas não disseram que custa caro. Acordo, visto a máscara de civilidade e vou encarar o circo. Aliás, quantos anos tralhando e ainda aqui? Às vezes, parece que só troquei fraldas por responsabilidades e promessas vazias. A gente cresce rápido demais, né? Aprendi cedo a engolir o orgulho junto com o café frio, porque quem disse que tinha tempo pra reclamação? Mas cada dia que passa, o estômago revira de insatisfação, essa sensação de engolir areia. E o mundo? Continua apático, sorrindo com dentes tortos. A vida tá passando enquanto eu tô aqui, destilando esforços em algo que nunca me quis por completo. Parece que fui moldado pra caber em espaços apertados, mas a alma tá grande demais pras paredes que me cercam. O desejo tá ali, gritando desesperado, querendo mais, querendo tudo. Mas, a gente vive nessa de aceitar o que nos jogam, porque o medo de ficar sem nada ainda pesa mais que o desejo de revolucionar tudo. Ainda. Quem sabe um dia, entre uma frustração e outra, algo se acende. Por enquanto, a máscara segue grudada, e a esperança é só mais uma palavra desgastada.