Cresci rápido demais, sem aviso ou preparação. Carregava o tipo de fardo que não aparece em fotos, mas que pesa no andar. A vida me empurrou cedo demais para arenas que eu não queria participar, e agora olho ao redor procurando por saídas que talvez não existam. Me sinto exausto, como se a vida fosse uma corrida atrás de algo que nem sei se quero alcançar. As pessoas ao meu redor parecem esperar algo de mim. Talvez esperem que eu resolva tudo sem fraquejar, que carregue o mundo nas costas enquanto sorrio e finjo que está tudo bem. Só que não está. Nunca esteve. E a culpa me sufoca. É uma sombra constante, que me lembra de cada vez que não consegui corresponder às expectativas, reais ou imaginárias. Sinto uma fome insaciável de carinho, mas o medo de me apegar é paralisante. Penso que se me abrir, vou apenas encontrar mais carga para somar ao que já levo, mais responsabilidade emocional para gerir. Então, me fecho. Construo muros e joguei fora o mapa da saída, mesmo sem saber se algum dia encontrarei alguém para derrubá-los. Eu sei das coisas. Sei mais do que gostaria. Conhecimento é uma droga amarga quando não sabemos o que fazer com ele. Tenho a sensação de estar em um barco sem remos, cheio de mapas, mas sem direção clara. Tanta pressa em crescer e, agora, só o silêncio responde.