Estou vivendo uma situação emocionalmente confusa há meses e preciso de opiniões externas, porque sinto que perdi o parâmetro do que é razoável.
Me envolvi com uma pessoa com quem nunca tive um relacionamento formal. Desde o início, a dinâmica foi marcada por proximidade intermitente: conversas frequentes, flertes, intimidade emocional, planos vagos, seguidos de sumiços, esfriamentos e silêncio. Nunca houve compromisso explícito, mas sempre existiu abertura suficiente para me manter emocionalmente vinculada.
O investimento, no entanto, sempre foi desigual. Sou eu quem ajusta agenda, pensa em datas, considera gastos, tempo e deslocamento. Ele nunca se moveu por mim da mesma forma.
Recentemente, planejei uma viagem para vê-lo. Seria minha primeira viagem sozinha, de avião, envolvendo dinheiro, logística e expectativa emocional. Antes de comprar a passagem, perguntei se ele não me “daria um perdido”. A resposta foi:
“Não, uai. Só me confirma os dias pra eu ver se não vou ter compromisso.”
Essa frase foi um choque. Não “vou me organizar pra te ver”, não “quero te ver”, não sequer “talvez não dê”. Foi ver se não teria algo mais importante. Isso me fez sentir um estorvo, não uma escolha.
Mesmo assim, respondi dizendo os dias em que estaria lá e finalizei com “fique tranquilo, não quero atrapalhar sua agenda”. Ele reagiu com risadas, debochou da situação e, quando eu disse explicitamente que me senti um estorvo, respondeu apenas com vários pontos de interrogação.
Esse momento condensou tudo o que venho vivendo: falta de cuidado, ausência de validação e uma indiferença que contrasta com a intimidade que ele mesmo ajuda a criar.
Apesar disso, continuo sentindo algo forte. Não é só atração física; existe carinho, afeto e idealização. O problema é que nada disso é sustentado pelas atitudes dele. Ele mantém contato, cria proximidade, depois some. Demonstra interesse, depois se distancia. Sai com outras pessoas enquanto continua conversando comigo, o que me confunde e machuca — mesmo sabendo que não há compromisso formal.
Eu oscilo entre lucidez e fraqueza. Em alguns dias, vejo claramente que estou me diminuindo, aceitando pouco, insistindo onde não há reciprocidade. Em outros, sinto vontade de chamá-lo de novo, como se precisasse de mais uma prova para aceitar o óbvio.
O que mais dói não é a rejeição direta, mas a sensação de estar sendo mantida num lugar confortável para ele e profundamente desconfortável para mim. Como se eu servisse para companhia emocional, ego ou desejo, mas não para escolha real.
Tenho medo de estar me sabotando, de confundir amor com insistência, de aceitar migalhas por carência. Ao mesmo tempo, sinto culpa por pensar em me afastar, como se estivesse desistindo cedo demais — mesmo sabendo que já tentei mais do que devia.
Informações Relevantes:
Conversamos todos os dias, e ele sempre me incentivou a ir na cidade dele (Sou de MG, e ele de PR)
Nos conhecemos há 3 anos
Queria opiniões honestas:
– essa conversa foi desrespeitosa ou estou exagerando?
– faz sentido insistir depois disso?
– como sair emocionalmente de algo que nunca foi oficial, mas doeu como se fosse?