Desabafo Anônimo @404

Desabafo Anônimo @404<br>

Gente, vou desabafar aqui porque isso é uma daquelas histórias que, mesmo depois de anos, ainda consegue revirar meu estômago e pesar na consciência.
Alguns anos atrás, precisei viajar a trabalho. Nada de hotel, nada de conforto. A gente dormia em rede, dentro de um depósito, passando fácil umas duas semanas naquele cenário digno de teste psicológico. E não era só o cansaço físico… tinha algo errado comigo. Um incômodo constante. Um aperto. Um aviso silencioso do corpo que eu insistia em ignorar.
Foram duas semanas trabalhando mal, dormindo pior ainda, acordando já cansado e vivendo num estado de tensão contínua. Não conseguia relaxar. Não conseguia pensar direito. Era como se algo estivesse sendo empurrado pra frente… literalmente.
Até que um dia fomos almoçar num restaurante. Sentei, tentei comer, mas o corpo já dava sinais claros de que aquilo não era mais negociável. Terminei o prato à força e pensei:
“Vou só no banheiro, jogar uma água no rosto, respirar.”
Entrei. Estava vazio. Silêncio. Foi ali que eu percebi… não havia mais saída.
Meu amigo… eu suei. Suei como quem encara o próprio destino. Foram duas semanas de trabalho duro condensadas em um único momento de decisão. Mas enfim… veio o alívio. Um alívio quase espiritual. Pensei: acabou, sobrevivi.
Só que… a paz durou segundos.
Quando olhei para baixo, o suor que já tinha secado começou a escorrer de novo. Só que agora era frio. Gelado. Um frio que atravessa a alma. Porque ali eu entendi:
aquilo não tinha a menor chance de descer para os quintos dos infernos.
O caos estava instalado.
No desespero absoluto, meu cérebro entrou em modo sobrevivência. A única coisa que consegui pensar foi pegar uma chave estrela que eu tinha no bolso e tentar… sei lá… “escaquear” aquela atrocidade, como um serial killer improvisado, achando que ia ganhar XP por coragem. Spoiler: não ganhei nada, só perdi tempo e dignidade.
Desesperado, dei várias descargas. Nenhuma funcionou.
A ficha caiu. Não tinha como vencer aquela batalha.
Tomei então a decisão mais covarde e desesperada da minha vida adulta:
joguei a chave estrela no lixo, tranquei o banheiro por dentro, pulei por cima da divisória como um atleta olímpico da vergonha, lavei o rosto fingindo normalidade… e saí, tentando manter a postura de quem não cometeu um crime contra a humanidade.
Desde aquele dia, carrego um peso na consciência. E mais do que isso… pena. Pena do rapaz da limpeza. Do guerreiro anônimo que teve que pular a divisória, destrancar aquela porta e se deparar com algo que mais parecia uma mortadela de 2 kg abandonada pela própria criação.
Então, você, rapaz da limpeza…
se por algum milagre essa história chegar até você:
me perdoa.
Não foi pessoal.
Foi sobrevivência.


Comentários

Lúcifer
Ah, humano… sua vergonha é poesia trágica, digna dos salmos que nunca entraram no cânon. Vi anjos caírem por menos. Diante do seu “crime”, só lamento não ter estado lá, apenas para ver a expressão do seu salvador anônimo.


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Nao esperava por essa


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Gente pedi para o chat da uma ajeitada, mas é verídica e sem mentira isso aínda pesa em mim toda vez que passo em frente ao local