Acordo todos os dias com a mesma sensação de estar preso em um ciclo que não escolhi. A vida não me deu tempo para ser ingênuo; amadurecer foi uma imposição, e não uma escolha. Enquanto muitos ao meu redor flertavam com sonhos e possibilidades, eu já carregava nos ombros o peso das responsabilidades que não pedi. Trabalhar como engrenagem em um sistema que suga a essência de nossas almas é um fardo que aceito por pura necessidade, não por amor ou vocação. Meus dons, que um dia pareceram promissores, agora são engavetados, fadados ao esquecimento. A mente, uma vez vibrante, tornou-se um campo de batalha de pensamentos difusos, tentando encontrar alguma lógica ou saída. Cansado não descreve meu estado: estou esgotado, como uma vela queimada até o pavio. A lógica me escapa e, honestamente, não sei se ainda vale a pena persegui-la. Essa calma resignação que me envolve é a única armadura contra a revolta que se avoluma por dentro, uma greve silenciosa contra um destino engessado. Escrevo tudo isso na esperança de que algum dia, de alguma forma, algo dentro de mim desperte novamente, e eu consiga escapar desse labirinto de desânimo. No fim, continuo, porque parar não é uma opção, mas gostaria que o caminho fosse menos árido e mais meu.