Às vezes, sinto-me como um livro inacabado, com páginas arrancadas de promessas que nunca cumpri. Na dança entre o querer e o conseguir, meus passos são tímidos, hesitantes, tropeçando em sonhos que o tempo amassa. Vivo numa cidade que se move como um carrossel, enquanto estou parado, observando. Trabalho. Subo e desço escadas invisíveis numa rotina que me consome, espectador da vida que eu deveria estar vivendo. Há uma solidão que não é falta de companhia, mas de conexão. Sei que o amor existe, mas parece um conto distante, temido tanto quanto desejado. A pele anseia por toque, mas o coração construiu muros altos, como se a proximidade fosse um risco que não posso calcular. E assim, as noites são longas, preenchidas por uma companhia: meus pensamentos. A academia era um caminho, quase, um futuro prometido. Mas encontrei um vazio onde deveria haver paixão, um eco interminável de perguntas sem respostas. Desisti não por fraqueza, mas por não me reconhecer nas linhas e números, nas promessas de um amanhã que não queria. Escrevo agora com a esperança desesperada de que estas palavras me libertem, que ecoem em algum canto do universo. Talvez seja apenas isso. Um sussurro no papel que diz: ainda estou aqui. Fragmentado. Incompleto. Mas ainda aqui. E em cada ponto, um alívio.