Na quietude das madrugadas insones, onde o silêncio pesa como chumbo, me vejo cercado por ecos de escolhas e desistências. O que significa estar aqui, agora, neste ponto sem retorno da estrada? É como olhar para um quebra-cabeça cujas peças não se encaixam mais. O tempo, esse escultor impiedoso, lapidou sonhos em escombros e deixou cicatrizes de amores que um dia foram vastos como o mar, mas agora são apenas marolas mansas e distantes. A busca incessante por propósito se tornou uma vã tentativa de costurar o passado com o fio tênue do presente. Há um desespero em perceber que o mundo gira e eu permaneço estático, como se a vida fosse um rio e eu, uma pedra à sua margem. Quando foi que perdi o fio que me guiava? Quando foi que aprendi a afundar em vez de nadar? As paredes que construí para me proteger acabaram por formar uma prisão invisível. Em algum lugar, o eco de antigos risos me lembra que já vivi, já senti, mas agora parece que respiro apenas por hábito. Será que um dia reencontrarei aquela fagulha? Será possível reacender algo que parece ter se apagado há tanto tempo? No fundo, cada pergunta é uma gota d'água que ressoa no lago da existência. E se não houver respostas? Talvez a verdadeira jornada seja aprender a viver sem elas.