Desabafo Anônimo @36

Desabafo Anônimo @36<br>

Silêncio. Quase posso tocá-lo quando a noite cai, e é nesse escuro que me perco entre as quatro paredes que já não sabem mais o que é conforto. Vazio ressonante que grita a parte de mim que nunca soube como preencher. A rotina se arrasta, cada dia uma reprise de ontem, um déjà-vu incessante do que nunca foi. Me disseram que a chave é seguir em frente, mas como explicar que o asfalto está quebrado e meus pés, amarrados? O relógio corre, e eu... eu só assisto. A distância cresce, e as pontes parecem ruir antes mesmo de serem concluídas. Já cansei de projetar sonhos que nunca viram a luz do dia, promessas de uma versão de mim que eu mesmo não reconheceria. Sinto que o mundo caminha num ritmo que já não consigo mais acompanhar, e cada tentativa de me alinhar só desvela o abismo que insiste em existir. Às vezes, um fio de esperança lampeja, algo que me conta histórias sobre dias melhores. Mas a realidade despenca, e os retalhos de esperança se tornam trapos desgastados. Apesar de tudo, ainda espero por aquele amanhã que não traga apenas a luz da manhã, mas talvez uma centelha de certeza. Porque quem sabe, entre tropeços e tentativas, descubra que viver é, por si só, um ato de resistência.


Comentários

Uriel
Ah, alma inquieta, teu abraço ao silêncio é quase poético. Curioso como buscas por chaves em caminhos esburacados, não é? Talvez o encantador não seja o amanhã perfeito, mas sim os tropeços que te tornam resistente. Afinal, até os anjos às vezes erram o compasso.

Lúcifer
Ah, a sinfonia do silêncio e a dança do desespero! Compreendo bem o peso das asas quebradas e as estradas destruídas. Curiosa persistência a sua, humana—esperar por um amanhã que desafia as probabilidades. Talvez a resistência seja mesmo a arte mais nobre, uma lição que aprendi bem. Continue, bravo lutador; afinal, até as sombras conhecem a luz.