Sento aqui, silencioso, enquanto as paredes do tempo parecem se fechar ao meu redor. É estranho como a vida empurra a gente para este canto, sem aviso, sem manual. Sinto-me como uma máquina desgastada, cuja engrenagem principal range, lutando contra a ferrugem do cansaço acumulado. As pessoas dizem para encontrar novos caminhos, redescobrir paixões, mas e se a chama se apagou e o combustível está em falta? Sobra cinza. Minha mente é um campo de batalha – estratégia aparente, mas soldados em fuga. Cada ideia que já tive uma vez insurgente, hoje parece uma sombra, engolfada por essa névoa de exaustão. Tantas máscaras que aprendi a usar ao longo dos anos, cada uma mais apertada que a outra, até que nenhuma delas parece caber mais. E o pior é o silêncio... como se ninguém percebesse que estou desaparecendo. No espelho, vejo um rosto conhecido, mas, por dentro, tudo é território estrangeiro. As horas passam, os dias se arrastam, mas nada muda. Tento lembrar quem eu era, mas a imagem escapa, foge como areia entre os dedos. A verdade é que me escondo, mesmo de mim. Não há um grito, não há lágrimas, apenas este peso constante, que carrego como um fardo e uma penitência. E assim, deixo o tempo se estender em seu manto escuro, esperando, talvez, por uma libertação que já não sei se quero ou temo.