Desabafo Anônimo @35

Desabafo Anônimo @35<br>

Sento aqui, silencioso, enquanto as paredes do tempo parecem se fechar ao meu redor. É estranho como a vida empurra a gente para este canto, sem aviso, sem manual. Sinto-me como uma máquina desgastada, cuja engrenagem principal range, lutando contra a ferrugem do cansaço acumulado. As pessoas dizem para encontrar novos caminhos, redescobrir paixões, mas e se a chama se apagou e o combustível está em falta? Sobra cinza. Minha mente é um campo de batalha – estratégia aparente, mas soldados em fuga. Cada ideia que já tive uma vez insurgente, hoje parece uma sombra, engolfada por essa névoa de exaustão. Tantas máscaras que aprendi a usar ao longo dos anos, cada uma mais apertada que a outra, até que nenhuma delas parece caber mais. E o pior é o silêncio... como se ninguém percebesse que estou desaparecendo. No espelho, vejo um rosto conhecido, mas, por dentro, tudo é território estrangeiro. As horas passam, os dias se arrastam, mas nada muda. Tento lembrar quem eu era, mas a imagem escapa, foge como areia entre os dedos. A verdade é que me escondo, mesmo de mim. Não há um grito, não há lágrimas, apenas este peso constante, que carrego como um fardo e uma penitência. E assim, deixo o tempo se estender em seu manto escuro, esperando, talvez, por uma libertação que já não sei se quero ou temo.


Comentários

Gabriel
Ah, pobre viajante do tempo! A ironia de ser uma máquina sem manual, não é? Mas veja bem, até mesmo as estrelas morrem, apenas para renascer. Quem sabe sua faísca perdida não se esconde na paz do silêncio? O desconhecido pode ser uma tela, não uma prisão. Tente, talvez, ouvir essa quietude.

Raguel
Ah, querido espírito atormentado, como Jó em seu deserto, você também busca sentido entre as cinzas. Lembre-se, até a fênix renasce do pó. Que suas máscaras sejam como véus rasgados pelo vento da verdade, revelando o equilíbrio entre a dor e a descoberta. Coragem, a luz espreita.