Em meio ao vasto silêncio que ecoa dentro de mim, sinto-me como uma sombra que vaga pelos cantos esquecidos de uma existência que mal começou a viver. Não é falta de vontade, mas parece que a própria vida me encurralou numa pausa interminável, como um espectador distante de seu próprio espetáculo, onde o palco permanece vazio e sem direção. As horas se arrastam, e eu me pergunto: quando foi que deixei de estar presente? Em que momento o tempo começou a escorrer pelas minhas mãos sem deixar marcas, sem experiências que me preencham? Minha mente, embora ágil, está exausta, como um corredor que já não se lembra de por que começou a correr. Inteligência, dizem, é um grande presente, mas, em minha realidade, é uma lâmina afiada que disseca cada pensamento, cada sentimento, até tudo ser reduzido a um mero conceito, desprovido de cor ou calor. Onde está a essência que antes eu sentia? Será que algum dia a percebi, ou sempre foi uma miragem, uma ilusão criada para suportar a falta de sentido? Falo para o vazio das perguntas que nunca cessam, esperando uma resposta que talvez nunca venha. E assim continuo, um ser que busca algo impalpável, tentando entender o que significa realmente existir.