Em meio ao silêncio ensurdecedor das minhas próprias paredes, encontro-me questionando o que resta quando o eco do "quem sou eu" não encontra resposta. Cada dia parece um borrão no calendário, um ciclo arrastado entre amanheceres pesados e noites insones, onde a ausência de um propósito definido paira como uma constante nuvem negra sobre a minha mente. Caminhar entre pessoas sempre foi um exercício de observação para mim — todas parecem saber exatamente para onde vão, enquanto eu permaneço parado, à margem, numa estação de trem imaginária, esperando um destino que nunca chega. O que faço é ver os outros partirem e chegarem, e me pergunto: onde está o meu lugar nesse fluxo incessante? Acordar já não é mais sobre abrir os olhos, mas sim sobre convocar forças para levantar um corpo que resiste ao movimento. A esperança de pertencer a algo ou alguém escapa-me como areia entre os dedos. Seria a carência uma prisão voluntária? Ou seria a segurança uma gaiola com grades de ouro? Questiono o rumo que me trouxe até aqui; os passos que deram danças de coragem, hoje vacilam em um terreno de incertezas. Esse vazio, porém, é um lembrete constante de que não estou preso, mas sim livre para redefinir tudo. A solidão, às vezes, parece um deserto, mas também oferece horizontes onde o sol ainda pode nascer. Quem sabe um dia, encontro meu próprio caminho, dentro e fora de mim.