Li A Metamorfose e fiquei com a mente naquela questão: `Quem ainda ia me amar se eu não fosse mais útil`. Enfim, acho que me esforço demais. Estou escrevendo porque estou com dor, aquele aperto na garganta, sabe? O sufoco, a vontade de morrer.
Nem espaço para me cortar tem mais. Então vou tentar me segurar, mas está difícil. Estou muito mal e sem sono. Acho que não estou sendo útil o suficiente, por isso ninguém está comigo. Acho que é por não ser útil o suficiente que todo mundo se afasta.
Às vezes, a vontade de chorar é nojenta. Já reparou? Não sei explicar, mas é horrível. Me sinto horrível. Prefiro o sangue escorrendo na minha pele a lágrimas indo até minha boca de forma asquerosa.
O sangue é elegante. Qualquer outro fluido corporal eu não curto muito.
Acho que a única coisa que está me mantendo aqui é justamente a automutilação. Ela alivia o que é pesado quando ninguém está comigo. Acho que, no fim, eu gosto desse relacionamento tóxico comigo mesmo. Ele preenche minha sede de viver, pelo menos por alguns segundos.
Eu queria poder não existir por um bom tempo, só para ter tempo de descansar, sabe?
Meu dedo está machucado. Nem sei que porra foi essa, mas está doendo. Não gostei dessa dor. Não entendo por que gosto de dores específicas. Não faz sentido nenhum. Mas, no fim, nada faz sentido. Nem mesmo nós.