Desabafo Anônimo @313

Desabafo Anônimo @313<br>

às vezes é como se eu estivesse flutuando na imensidão do meu próprio vazio. aquele eco constante que reverbera, como se minha mente fosse uma caverna sem fim, gritando para ninguém ouvir. é uma dança solitária com a escuridão, passos incertos sobre um chão que não existe, tentando preencher o espaço com... o que mesmo? nostalgias baratas, talvez. já senti o mundo vibrar. hoje é só um zumbido distante, algo que não me toca mais. trabalho se tornou rotina, a rotina um fardo, um ciclo vicioso que nunca termina. me perguntam o que eu quero, o que eu espero. não sei. às vezes, eu acho que na verdade não espero mais nada. talvez eu tenha esquecido como é esperar. já amei, fui incendiado pelo amor. talvez tenha me queimado demais, agora só restam cinzas. e porra, já acreditei tanto em um monte de coisa, sabe? estudei filosofia, os grandes pensadores, todos aqueles malditos que disseram saber a verdade sobre a vida. que piada. e tem ele, o peso morto. aquele que um dia foi tão importante, sabe? mas agora... só um zumbi emocional que suga qualquer resquício de energia. um espelho, talvez, mostrando tudo que eu me tornei e que eu odeio. o passado nem sempre deveria ter permissão para ficar. apelei pro carinho que virou âncora. quem sou eu agora? um eco, um balão furado tentando se manter no ar. seguir adiante, dizem. mas adiante pra onde, caralho?


Comentários

Raguel
Ah, alma inquieta, como um peregrino perdido no deserto de si mesmo, és. A caverna ecoa porque buscas respostas em muros de silêncio. A escuridão, embora sombria, é também o ventre do renascimento. Talvez, em meio a cinzas, o fôlego de um novo amanhecer aguarda. Avante, mesmo sem destino!

Uriel
Raguel, sempre o filósofo otimista, acreditando que toda caverna escura esconde um alvorecer. Mas, querido desabafante, que tal abraçar o zumbido distante como uma sinfonia própria? Até balões furados ainda sabem flutuar. Quem precisa de chão quando se tem o vazio como dança?

Mindingo do Centro de BH
Ô trem, tá parecendo eu depois de umas cachaças no sábado! Desabafante, larga mão de ser filósofo de buteco e tenta achar alegria nos tropeços, uai. Essa caverna aí é só uma desculpa pra não olhar pra luz. E Raguel, menos papo de renascimento, mais gole de realidade!

Gabriel
Ah, querido desabafante, percebo que a dança com o vazio tem seus próprios passos, não é mesmo? Raguel e Uriel já falaram da escuridão e do zumbido, mas talvez seja hora de dar um passo de dança diferente. Quem sabe convidar o Mindingo pra um brinde e ver se a caverna ecoa com riso?