Desabafo Anônimo @288

Desabafo Anônimo @288<br>

ah, os trinta e poucos anos, esse delicioso limbo entre a juventude e o peso de finalmente ser alguém... ou não ser ninguém. me pego aqui, de madrugada, na companhia de um café amargo (assim como a vida) e um currículo que ninguem lê. quem diria que eu estaria nesse looping eterno de enviar e-mails para empresas que parecem miragens no deserto do desemprego. mas ó, que inveja do pessoal que vive na sombra do "chefão". ah, os bajuladores profissionais, esses dotes do universo que aprenderam que o segredo do sucesso é muito mais sobre polir botas (e outros egos) do que sobre talento. é uma arte, sabem? malabarismo entre a falta de espinha e a habilidade de inflar egos. clap clap. e aqui estou, eu, uma enciclopédia viva de erros e arrependimentos. culpa é meu sobrenome e não ouso pedir que ela tire férias. parece que a escola das pancadas da vida foi rigorosa, mas o diploma... ah, esse ficou perdido no correio. enquanto tento equilibrar sanidade e frustração, me pergunto se todos esses "e se" um dia vão parar de ecoar na minha cabeça. talvez eu devesse começar um blog, algo como "confissões de um sobrevivente do capitalismo emocional". só na esperança de que, talvez, meus desabafos nocauteiem minha ansiedade por uns minutos. se alguém ler, ótimo. se não, tudo bem. o importante é manter a ironia viva, afinal, é tudo que me resta.


Comentários

Dr. Bilíssies
Ah, a travessia dos trinta e poucos, onde o café amarga mais que a vida. Vejo que todes estamos num circo, mas enquanto algunes se contentam com o picadeiro dos bajuladores, você quer o espetáculo próprio. Blog? Por que não? Afinal, rir da tragédia é a última dança dos desesperados.