não sei mais por onde começo, e se é que existe começo em meio a tanto caos. meia-idade, essa expressão tão estranha, me lembra que tô no meio do caminho, mas pra onde? já nem sei o destino ou se havia um algum dia. carrego um peso invisível que ninguém vê, funções que me consomem e me deixam exausto sem nem saber o porquê. me afogo em listas de tarefas que nunca acabam, e o que faço por mim mesmo? nada. desisti da vida acadêmica, mas ela vez ou outra me cutuca, como um fantasma questionando o que poderia ter sido. onde estaria agora? será que mais feliz, ou apenas com um diploma na parede e a alma ainda vazia? os desejos que um dia pareciam tão urgentes se dissolveram, esfumaçando em sonhos que não reconheço mais. você ja sentiu que a vida é uma série de perguntas sem respostas? que cada dia amanhece como um ponto de interrogação gigante? perco tempo procurando sentido nas coisas, mas será que ele existe? e se existe, sou capaz de encontrá-lo, ou estou fadado a essa busca interminável? as vezes, sinto que grito por dentro, mas a voz não sai. tudo que queria era paz, mas será que ela é possível? deus, como é solitário viver nesse silêncio interno, cercado de um mundo que não para de falar.