bem, aqui estou eu novamente, teclando palavras que parecem mais fáceis de digerir do que a realidade ao redor. sou um cacto no deserto da existência, invulnerável, mas solitário. o peso dos dias escorre pela janela, gotas de chuva, uma por uma, como pensamentos que nunca param. há tempos que ando neste caminho de ser adulto, mas o que significa isso? administrar boletos, fingir sorrisos. é um teatro sem aplausos, um filme sem final feliz. já amei demais e isso me quebrou, me fechou numa armadura de aço. sera que ainda tenho algo dentro dessa casca? me perco na inteligência que um dia achei que seria meu trunfo. agora, é só mais um fardo, com expectativas alheias penduradas em minhas costas. eles dizem: "você precisa fazer mais, ser mais". mas eu sou só esse aglomerado de carne pulsante, tentando não desmoronar. pausas são necessárias mas, porra, por que o mundo não para também? é sempre eu tentando encontrar uma brecha para respirar, enquanto tudo continua girando. mas sabe, há certo alívio nesse desabafo. palavras são minha fuga, meu escape plan. ao menos aqui, sou eu, despido de máscaras, só um rabisco no papel. então, viva o alívio de escrever, porque é o que me resta. e de alguma forma, ao final, isso já não parece tão terrível assim.