aqui estou eu outra vez. na verdade, não sei nem como cheguei aqui, mas, enfim, parece que a vida adulta é isso, um eterno labirinto sem saída, só com paredes de contas a pagar e sonhos partidos. tipo aquele freelas que não pagam, projetos que prometem fortunas mas só entregam promessas vazias. não é incrível como a gente cresce achando que vai ser astronauta ou sei lá o que e acaba virando especialista em fazer sopa com o que sobrou da geladeira? ah, e tem o mestre dos magos, meu querido chefe, que acha que três dias têm 72 horas e que "vai dar tudo certo" é um plano de negócios. é impressionante como ele consegue transformar qualquer coisa simples em missão impossível, tudo com aquele charme de quem não faz ideia do que tá acontecendo. mas, claro, ele entende tudo, menos o que importa. já amei demais e, confesso, levei na cara mais vezes do que é educado contar. coração trancado agora, fechadura trocada, a minha série preferida agora é a solidão. e, mesmo assim, aqui estamos: freelancers instáveis, adultos em crise de identidade, tudo embalado com um laço bonito de angústia silenciosa. a vida se torna um espetáculo de ironias e sarcasmos, um circo onde a gente ri pra não chorar. e, na plateia, só eu mesmo. saudades de quando a dor vinha só da escola, e não da vida.