é engraçado, ou talvez nem tanto, essa sensação de estar preso num corpo que não corresponde mais à mente que um dia foi vibrante. a vida, antes um campo vasto de possibilidades, agora parece um corredor estreito, sem janelas, sem saídas. como é que a gente chega aqui e, pior, por quê? as manhãs começam iguais e os dias se arrastam, como se a repetição fosse uma espécie de piada cruel que a vida resolveu pregar. trabalho, contas, obrigações. cadê o brilho que um dia reluziu nos olhos? cadê a motivação que fazia o coração bater forte? será que alguma vez existiram? o amor... ah, o amor. aquilo que um dia parecia a resposta agora se esconde atrás de muros que eu mesmo construí. por que é que a gente se fecha assim? é medo de sofrer mais uma vez ou apenas o cansaço de sentir? talvez seja um pouco de cada. ou talvez eu só tenha desaprendido a amar, como se isso fosse uma habilidade que a gente pode esquecer. a gente cresce achando que inteligência é a chave, mas de que adianta ser esperto num mundo que não faz sentido? os pensamentos correm, mas as respostas não vêm. o esgotamento mental é real, é palpável. e eu me pergunto se algum dia isso passa ou se a vida é só isso mesmo, um grande eterno talvez. no fim das contas, acho que eu só tô tentando achar algum sentido, em tudo, em mim, mas as perguntas continuam reverberando no vazio. e eu sigo, um passo de cada vez, sem saber pra onde vou, mas com a esperança persistente de um dia encontrar algo mais.