Desabafo Anônimo @27

Desabafo Anônimo @27<br>

Olho pela janela, perdida em linhas tortas de um futuro que nunca se desenhou. Os dias passam, iguais, como folhas mortas ao vento. Há um abismo entre o que sonho e o que vivo, e sinto o eco das ambições jogadas em um canto. Tudo aqui é um murmúrio baixo, uma angústia que se arrasta, quase silenciosa, mas que sibila nos ouvidos. Despertar é um ritual sem propósito. O café, sempre o mesmo. E o jornal que não diz nada além de rotinas alheias. Esperanças que não me pertencem. O tempo que escorre pelos dedos, implacável, enquanto me perco nas rendas desfeitas de um amanhã incerto. O telefone não toca, e as portas, antes abertas, são agora sombras de madeira fria. E então, vem a noite, velha familiar. Em seu manto escuro, busco consolo nas estrelas que piscam distantes, inalcançáveis como sonhos infantis. Estou aqui, no silêncio que berra, tentando encontrar pedaços de mim entre as paredes deste labirinto interno. Caminho pelas veredas da mente, tateando por algo sólido. Respiro, e o ar pesa. Não sou mais inteiro, mas fragmentos de desejos e memórias. Uma espera que não finda, e a única certeza é o agora, tão fugaz. Educado demais para aceitar os restos do que sobrou, mas soçobrando na falta de opções. Ainda assim, persisto. Respiro. Amanhã, talvez, o sol brilhe diferente.


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