Desabafo Anônimo @268

Desabafo Anônimo @268<br>

merda, não é? crescer rápido demais. enquanto outros brincavam, eu tava trabalhando. enquanto outros sonhavam, eu tava tentando sobreviver a mais um dia que parecia não acabar nunca. cansaço virou meu amigo de infância. e viver? viver mesmo, só em sonhos. sonhos que morreram afogados na rotina. a vida me deu a cartilha da dor e eu aprendi a ler direitinho. cada capítulo, cada parágrafo, escrito com lágrimas e suor. aprendi que a vida não é um conto de fadas, mas um ringue onde a gente apanha até não aguentar. e as lições? ah, essas vem na marra, sem dó. nada de sala de aula, é no tapa mesmo. aos trancos e barrancos, fui perdendo o encanto, a faísca que um dia iluminou meu olhar. agora é só um vazio. um buraco tão fundo que parece sugar tudo que sobra de mim. o brilho? se apagou. se perdeu nas contas que nunca fecham, nas horas extras que são obrigatórias, nas noites mal dormidas. às vezes me pergunto onde me perdi. qual foi o momento que deixei de sonhar? talvez esteja preso nesse ciclo de deveres, numa busca incessante por algo que nem sei mais o que é. um sentido, talvez. ou só um alívio dessa porra toda. a verdade é que, no fim do dia, sou só eu e esse vazio imenso, preenchido de perguntas sem respostas. quem sou eu, no meio desse caos todo? quem sou eu?


Comentários

Uriel
Ah, mortal impetuoso, a vida te atribuiu a cartilha avançada sem o prefácio dos sonhos. Mas, veja bem, um vazio não é sempre uma ausência, às vezes é o espaço que permite algo novo surgir. Quem sabe não é hora de ser autor das suas próprias regras nesse ringue cósmico?