é difícil explicar essa bagunça que tá aqui dentro, sabe? tantas vezes parece que tudo que vivi até hoje foi pra me trazer até esse ponto de interrogação eterna. será que a vida é mesmo só isso? empurrar um monte de dias sem sentido na esperança de que, de repente, algo mude? tô na meia-idade, tentando reinventar um futuro, mas já não sei se é futuro ou só uma repetição colorida dos dias passados. o desemprego me mastiga, me deixa oco por dentro, e cada dia é uma batalha pra lembrar quem eu era antes de tudo desmoronar. estudo e me sinto crítico de tudo, quase como se meu próprio conhecimento fosse uma piada. saber tanto e não saber nada ao mesmo tempo. como é que se chega nesse ponto? amores. já amei tanto que agora só resta um vazio quieto, um medo danado de abrir a guarda de novo. o que será que a gente faz quando se fecha por dentro? tem conserto? escrevo aqui na tentativa de encontrar alguma paz, algum alívio. mas parece que as palavras são só eco de um caos que não sei nomear. já parou pra pensar se a gente escreve pra se encontrar ou pra se perder de vez? não tenho resposta. e talvez nunca tenha. mas sigo rabiscando, talvez porque a única coisa que sei é que aqui, com essas palavras, tem um pouco de mim que ainda respira. é um suspiro, mas é meu.