tô aqui pegando a porra da caneta, ou o que quer que seja essa merda digital, pra tentar botar pra fora essa tempestade de merda que tá na minha cabeça. é como se eu tivesse num labirinto, mas não aquele divertido, de filme. é um labirinto de paredes opressoras, uma merda de nevoeiro. você chega na meia-idade achando que vai ter tudo resolvido, um caralho. tô mais perdido do que nunca. ser um estudante depois dos 40? que ideia de merda. é ter um pé no passado, onde eu deveria ter feito isso antes, e outro no presente fodido, tentando encaixar minha cabeça cheia de teorias nesse mundo que não faz sentido. é como tentar colocar um elefante numa caixa de sapato. é frustrante pra caralho. e porra, essa sensação de saber demais pra aceitar pouco. você tem educação, você tem experiência, mas, adivinha só, não tem opção. o mercado tá cagando pra você. se mata pra ser o melhor que pode, só pra não ter espaço nesse mundo de merda. é um soco no estômago a cada dia. mas, puta que pariu, tem essa faísca de esperança que não morre. um paradoxo que bate na porta do meu peito: "vai lá, filho da puta, tenta mais uma vez". então eu sigo. cambaleando, tropeçando, mas ainda de pé. talvez, só talvez, a vida me reserve algo além desse caos. quem sabe. fim.