Desabafo Anônimo @26

Desabafo Anônimo @26<br>

Ah, a maravilha de ser um adulto funcional. Ou quase. Afinal, "funcionamento" é uma palavra tão flexível, não? Como a felicidade, que parece sempre estar mais próxima da última fatia de bolo do que da primeira. Minha vida é um ciclo interminável de listas de tarefas invisíveis, aquelas que ninguém nota até que algo dê errado. A máquina de lavar tem sobrenome e poderia até votar em mim por quantas vezes já dei atenção a ela, mas ninguém mais vê isso. Tudo se resume a um "Bom trabalho!" sussurrado por mim mesmo quando ninguém está ouvindo. É um romance trágico. A identidade é uma outra história, ou melhor, uma comédia sombria. Se ao menos a vida viesse com créditos finais para explicar quem eu sou... Mas não, resta-me lidar com a constante dúvida de se estou mais próximo de ser quem eu deveria ou se estou apenas seguindo o manual de instruções da sociedade. Alerta de spoiler: o manual está em um idioma que não conheço. O desejo? Ah, isso é um mero luxo. Uma vírgula esquecida na lista de prioridades. Aprendi muito mais com as cicatrizes do que com qualquer aula magistral. Talvez a culpa seja minha, por não ter lido o roteiro direito. Ou talvez seja o roteiro que estava borrado. O que quer que seja, a culpa paira, uma sombra persistente sem forma definida. O irônico é que, no fundo, ainda espero que a próxima gaveta aberta revele uma resposta, mesmo sabendo que está vazia.


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