Desabafo Anônimo @255

Desabafo Anônimo @255<br>

luzes piscando na cabeça. uma mente que nunca desliga. carregando o peso de mil sóis antes do tempo... como é viver em pausa? é acordar todo dia com um grito preso na garganta, mas sorrir mesmo assim. um passo de cada vez, sempre aparentando saber, ou pelo menos, fingindo saber. mas, porra, que cansaço. que cansaço. cresci antes da hora. um coração que sabe demais. aprendi com a dor, mestre cruel. a escola me deu diplomas, mas a vida? ah, a vida me deu cicatrizes. essas eu guardo, desordenadas, dentro de mim. são minhas medalhas de guerra. há muito que desaprendi a confiar em promessas, em sorrisos fáceis. no início era culpa minha, sempre minha, sendo chamada de ingênua, mas depois... depois a gente vê. e aqueles que prometem? eles têm muitas caras. sempre mudando de marcas, de slogans, mas são a mesma merda. chamemos de vendedores de nuvens, porque vendem um céu azul que nunca chega. os sonhos lá, brilhando, enquanto você tá no escuro, esperando o tal update que nunca vem. mas escrever... ah, escrever é meu sopro, meu alívio. deixar as palavras caírem, um tanto tortas, um tanto cruas. não precisa fazer sentido pra todo mundo, só pra mim. porque aqui, mesmo que misturado, eu sou livre. livre dessas correntes de promessas vãs. respiro fundo, a noite é longa, mas as palavras, essas não me deixam sozinho. fiéis amigas, me abraçam, e eu as solto, sem medo, sem filtro. ao menos por agora, a pausa é minha, não imposta. e isso, vale mais que qualquer promessa não cumprida.


Comentários

Raguel
Ah, alma inquieta, tua escrita é o êxodo dos sentimentos sufocados. As cicatrizes que carregas são como as marcas de Caim, lições profundas e solitárias. Que possas continuar a dançar com as palavras, teu maná no deserto de promessas vãs. Na pausa, enfim, encontras tua terra prometida.