às vezes me pergunto onde foi que me perdi, se é que me encontrei um dia. aqui estou, na meia-idade, com a sensação de carregar o peso do mundo nas costas, mas sem saber por quê. são tantas funções invisíveis que me consomem, aquelas pequenas coisas que ninguém vê, ninguém valoriza, mas se eu não fizer, o que resta? o caos? é engraçado como a vida te ensina a ser educado, a aceitar o que não se deve, a engolir sapos como se fosse sua porção diária de nutrientes. e eu, tão educado, me sinto preso entre querer mais e não ter opções. por que a gente se acomoda? é medo, é culpa, ou é tudo junto num emaranhado confuso que não sei como desfazer? culpa. essa palavra ecoa na mente, como uma sombra que não se dissipa. culpa por não ser suficiente, por não ser melhor, por não encontrar respostas pras perguntas que me assombram. será que um dia a gente aprende a se perdoar? ou a vida é esse ciclo sem fim de tentar e falhar, tentar e falhar? é foda... parece que existe uma expectativa de que eu tenha todas as respostas, que eu saiba para onde ir e o que fazer. mas não sei. tô aqui, ainda tentando descobrir se existe um "eu" verdadeiro por trás de tudo isso. e se existe, será que um dia vou conhecê-lo?